Os anos 60 - música e fotografia A National Portrait Gallery, em Londres, expôs a década de 60, até ao dia 24 de Janeiro, numa longa sequência de fotografias da época. Através de imagens emblemáticas de artistas musicais relevantes a exposição revelou uma época em que a prosperidade pós-guerra começava a trazer consequências culturais a Inglaterra e principalmente à cidade de Londres. Esta vibrava com a criatividade dos novos artistas e a evolução sentia-se a cada ano que passava. Hoje em dia, ao passear por Londres, os ecos do que era, por exemplo, Carnaby Street nos anos 60, são quase inexistentes. Ao contrário do que era uma cidade em constante mutação, onde tantos chegavam para aproveitar a nova prosperidade, cometer loucuras e tentar ser alguém no mundo da música e entretenimento, Londres é hoje, em termos de influência criativa no mundo, essa memória. “From Beatles to Bowie” foi o nome da exposição, mostrando desde já o seu percurso temporal. Dividida em secções anuais (1960-969) a exposição esclarece as mudanças de ideias e inspirações artísticas de ano para ano. Ao percorrer aquela galeria podia sentir-se que a evolução naquela década era de uma rapidez e riqueza estonteante. Desde ídolos pop, como Cliff Richard, que assim se mantiveram para a posteridade, até às mudanças na sonoridade e atitude dos Beatles, o surgimento dos hippies, o sexo, a nudez, o lsd, o esoterismo, os rolling stones, o andrógino David Bowie, as guitarras eléctricas de Bob Dylan, etc. Valia tudo, principalmente criar, ser louco e passear-se cheio de uma arrogância só vista naqueles que têm consciência da sua superioridade. Para os adolescentes da época valia adorar estes seres que pareciam vir doutro mundo, viver e vestir à sua semelhança ,renegando os valores retrógados dos pais. Além de contar resumidamente a história das personagens musicais predominantes na década de 60 e nos encher de estímulos visuais (além das fotografias: manequins, capas de revistas, videos) a exposição reflectia alguma da história de Londres: uma cidade que nos anos 60 se encontrava no topo do mundo e no auge da sua criatividade. Hoje Londres continua a ser cosmopolita e a receber gente de toda a Inglaterra e do resto do mundo, mas é uma cidade que atrai cada vez mais uma classe trabalhadora à procura de uma vida melhor. A prosperidade chegou ao fim e, de certa forma, voltaram a um passado mais longínquo. Esta realidade reflecte-se naturalmente no músculo criativo que pouco se desenvolve. Nos bairros da cidade povoados por artistas e grupos de universitários indies vemos apenas a repetição de ideias. Londres não conseguiu renovar-se e manter o brilho durante assim tanto tempo, mas continua cheia de energia e gente nova, com certeza é uma questão de tempo até que sangue novo comece a bombear.