Entrevista: Pormenor Arquitectos Contem-nos um pouco da genese do pormenor.
A equipa Pormenor começou como um grupo de trabalho para resolver a situação pós-estágio. Mantém desde a sua formação o objectivo de não ser uma equipa fechada. A qualquer momento podem entrar novos elementos na equipa de trabalho para resolver questões pontuais de projectos que estejam a decorrer, formando assim uma equipa multidisciplinar que facilmente se adapta às constantes alterações do que os rodeia, nunca estagnando a criatividade, “Há quem lhe chame esquizofrenia”.
O grupo começou por participar em alguns concursos tanto nacionais como internacionais e desde cedo percebeu que o projecto tinha pernas para andar, pois a equipa ganhou o primeiro concurso para o desenho de uma capela em Amarante, seguido de vários projectos privados e desde então a actividade regular manteve-se.
Como tiveram a ideia de se aventurarem tão cedo num estudio sozinhos?
“Não foi fácil decidir trabalhar sozinhos, especialmente numa fase de recuo económico, mas todos acreditámos neste projecto global com várias valências e muitos intervenientes, e isso foi o que nos impulsionou para tentar sempre fazer mais e melhor.”
Quais são as vossas principais influencias na maneira como pensam a arq?
Como descreveriam a vossa linha arquitectónica, em que consiste a vossa preocupaçao qd projectam um edificio?
Os Pormenor arquitectos não assumem ter influências mas sim assimilar positivamente todos os exemplos arquitectónicos com uma mentalidade crítica. “Sabemos o que gostamos e o que odiamos, mesmo não sendo comum a todos os membros do grupo. Isso faz com que o resultado da nossa produção arquitectónica seja um pouco fora do convencional o que a torna duradoura. Nem sequer aceitamos a ideia de possuirmos uma “linha arquitectónica” nem nada que se pareça. Temos sim preocupações de projecto, de integração, ambientais, e acima de tudo, assimilamos como se fossem nossas as preocupações de todos os nossos clientes.”
Quais as obras que gostariam de destacar no vosso ainda curto percurso arq.
No seu currículo, entre as obras de maior impacto, destacam-se o jardim projectado para a Santa Casa da Misericórdia e uma Discoteca desenhada para um cliente privado como marcos de percurso na eterna dicotomia entre o sagrado e o profano. Ambos os exemplos alteram a vida da população, sendo que no caso do Jardim da Santa Casa muitos idosos usufruem de um local pacífico, seguro e confortável, onde passar os dias ao ar livre. “Temos consciência de ter aumentado drasticamente a qualidade de vida dos utentes da Santa Casa, o que nos deixa extremamente felizes e realizados enquanto arquitectos.”
O caso da discoteca é similar na medida em que alegra a vida de muitos utentes, mas de uma forma eufórica. Todo o edifício foi pensado, desenhado e construído de forma a garantir uma utilização espacial memorável, desde a aproximação ao edifício, até à apropriação dos espaços interiores. “No caso da discoteca foi crucial incutir sensações espaciais para que os utentes se divirtam mais durante a noite. Quisemos criar um mega local de culto, e como tal a vivência espacial e estrutural baseia-se em templos Hindus, que a equipa teve a oportunidade de visitar na Índia. Por isso é que temos uma nave principal feita de pórticos de luz e o DJ está ao centro como num super púlpito ou altar.”
O que pensam sobre o panorama actual da arq ?
O que gostariam que mudasse no panorama actual da arq ?
Os Pormenor acreditam que a arquitectura em Portugal sofreu um desgaste excessivo durante a década de 80 e 90, vítima da legislação que permitia que técnicos não qualificados para o efeito apresentassem projectos de arquitectura. Felizmente as leis já mudaram, mas Portugal esteve muitos anos na decadência e como tal vai demorar muito tempo até que consigamos ver uma recuperação real do património edificado. Além disso é necessário reeducar a população que continua a pensar que é o engenheiro que desenha o espaço habitável.
Além desses problemas que deverão demorar outra década a sarar, acreditamos que o futuro da arquitectura passa pela construção sustentável feita por empresas qualificadas para o efeito. O sistema actual de construção em Portugal ainda se baseia no “jeitoso” que sabe erguer umas paredes, mas os métodos construtivos já não são o que eram, e as paredes muitas vezes já não são em massa e tijolo, pelo que é urgente implementar novas regras de certificação para as empresas construtoras, e esse será certamente o novo passo do governo.
Sabiam que a arquitectura não figura nas 7 artes classicas?
Uma viagem memoravel onde aconteceram epifanias arquitectonicas.
Onde é que se veêm daqui a 25 anos?
Daqui a 25 anos ainda nos vê-mos a fazer arquitectura, de que forma, não sabemos mas de certeza que será feita com o mesmo entusiasmo e dedicação com que a tentámos fazer hoje.