Viva la Revolucion! É difícil achar quem não o conheça. E desde 1959 (quando liderou a revolução que mudaria o governo de Cuba por muito tempo), até há pouco tempo atrás, temos debatido duas possibilidades: Quando ele vai sair do poder? Ou, poderia ele manter o governo para sempre?
Mas, no dia 19 de Fevereiro deste ano acabaram muitos dos motivos de debate; Fidel Castro deixou o poder com uma carta ao jornal estatal La Granma. “"Não vou aspirar nem vou aceitar –repito- não vou aspirar nem vou aceitar, o cargo de presidente do Conselho de Estado e Comandante-em-Chefe", escreveu.
Alguns de nós falamos com orgulho do quanto apoiamos tudo que ele fez pela a liberdade de Cuba. Usamos as nossas t-shirts do Che-Guevara com paixão, e falamos da revolução de 59, e a tomada do poder repressivo de Fulgencio Batista. Nós sabemos das viagens de Ernesto Guevara pela América do Sul, e como as imagens de pobres explorados pelo capitalismo Americano inspiraram a sua simpatia com a política de Fidel. Nós entendemos a perfeição do sistema de educação e saúde, um sistema exemplo para qualquer outra nação.
Alguns de nós não sabemos disso. Sabemos do governo autoritário de Cuba, que nega o povo de liberdade de expressão, informação, tecnologia, infra-estrutura, viagem… Compreendemos que em realidade, Cuba tem um sistema de educação e saúde muito longe de ser perfeito, e que a sua posição no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (UN Human development position) está atrás de outros países sul-americanos como Argentina, Chile, México, e Costa Rica.
Quaisquer que sejam as nossas ideias, ninguém pode ignorar o facto de que Fidel Castro teve um grande papel na história mundial. Ele é uma figura forte, única e revolucionária com um governo opressivo, não democrático e pouco realista.
Fidel Castro pode bem ser considerado um dos mais importantes ícones revolucionários de todos os tempos, um que reverteu a falta de originalidade do sistema capitalista. Tinha tanta paixão pela sua ideologia, que se manteve no poder depois de dez termos presidenciais nos Estados Unidos, sem mostrar qualquer abertura à ideia de deixar o governo.
No entanto, nós ( seja qual opinião tivermos) não podemos esquecer o facto de que Castro foi um ditador que manteve um governo autoritário. As pessoas de Cuba tinham direitos limitados, com pouca liberdade.
Podemos usar as nossas camisas do Che Guevara com a frase “Viva La Revolucion”, e falar ingenuamente do quanto sabemos sobre Cuba (quando na verdade não vivemos naquela realidade para falar algo). Mas que não esqueçamos dos verdadeiros significados (e a repercussão) de ideais comunistas para depois formar uma opinião. Que larguemos a imagem e entendamos o verdadeiro significado atrás dela.